ORQUIDÁRIO DE GUARULHOS/SP GANHA LABORATÓRIO DE PESQUISA

 Não é para ser um local simples de exposições, mas também de educação e pesquisa. Essas são algumas das propostas para o Orquidário Público de Guarulhos, cujas obras do Laboratório de Micropropagação de Espécies já estão quase finalizadas para a entrega, em 18 de setembro, quando completará um ano de existência. Ele será um banco de germoplasma vegetal, com a finalidade de conservar o patrimônio genético das plantas, por meio do cultivo fora do seu “habitat”, e em programas de micropropagação e reintrodução das espécies. Tudo de acordo com as metas planetárias definidas no Congresso Internacional de Conservação das Orquídeas de 2001, na Austrália.

No ambiente, foram instaladas estufas em estantes metálicas e lâmpadas especiais de raios ultravioleta (UV), com iluminação adequada e temperatura entre 23°C e 28°C. Já foram germinadas sementes de matrizes de cinco espécies diferentes de orquídeas, como Cattleya loddigesiiOncidium praetextumZygopetalumMiltonia e um cacto chamadoRipsális. Após o crescimento inicial, as plantas vão se adaptar ao meio externo no próprio orquidário para serem introduzidas posteriormente em seu “habitat” de origem, na Serra da Cantareira. “O equipamento público é o primeiro voltado para a promoção do conhecimento teórico e prático da biodiversidade vegetal não florestal e das inúmeras possibilidades de apropriação social desse saber”, diz o secretário de Meio Ambiente, Luiz Henrique Zanetta.

Estrutura física

Zanetta, que também é arquiteto, idealizou a estrutura física do Orquidário Público, que é feita de materiais reutilizáveis coletados em empresas recicladoras de sucatas da construção civil, na Prefeitura e em cooperativas de reciclagem. Instalado no Bosque Maia, em uma área de 2.300 m², o equipamento foi concebido com conceitos de edificação sustentável.

Ao longo desse primeiro ano, o projeto arquitetônico se transformou em um ambiente ideal para abrigar as 300 espécies de orquídeas existentes no local, entre nativas, híbridas e exóticas, oriundas da Serra da Cantareira, remanescentes da obra do trecho norte do Rodoanel, bem como do Instituto de Botânica do Estado de São Paulo, por meio da Curadoria do Orquidário do Estado, além de doações individuais de orquidófilos, colecionadores e principalmente de produtores.

Logo na entrada, o visitante vê os arcos metálicos da cobertura feitos em telhas de metal reutilizadas de restos de obras da cidade. Lonas que iriam para o lixo também foram utilizadas como cobertura para aumentar o sombreamento do espaço e torná-lo  assemelhado ao de uma floresta. Dessa forma, atinge a luminosidade que uma copa de árvores alta proporciona em zonas de Mata Atlântica.

As plantas resgatadas no trecho norte do Rodoanel ganharam suportes que imitam seu “habitat” natural. Elas crescem sobre árvores, mas não como parasitas, apenas usando-as como apoio para buscar a luz e nutrindo-se do material em decomposição que cai delas. Como base para abrigá-las, foi utilizado também tampas de ventilador e caixetas de madeira, construídas com batentes de portas e janelas reutilizadas, além de galhos coletados pela equipe de poda da Secretaria de Meio Ambiente.

Coletado em cooperativas de material reciclável, o isopor foi reutilizado como suporte para dar maior resistência à rampa de acesso ao deck do Orquidário. A estrutura é feita de eletrocalhas, bandejas metálicas que fornecem suporte para a passagem de fios e cabos elétricos em edifícios industriais.

Lagoa artificial

O lago instalado no local serve para devolver a umidade ideal ao meio ambiente das orquídeas da espécie Vanda, que são originárias da região asiática, e exigem alta umidade no lugar e temperaturas entre 15°C a 35°C. Mais de 50 peixes foram colocados lá para comer as larvas que podem se desenvolver na água. “Não interferimos na natureza. É frequente ver pássaros, como bem-te-vis, alimentando-se dos peixes, anfíbios e pequenos invertebrados que se reproduzem no lago”, ressalta o biólogo Luciano Zandoná.

Serviço

Orquidário Público de Guarulhos

Aberto de terça a domingo das 8 às 17 horas

Avenida Papa João XXIII, nº 219, Jardim Maia