Laelia purpurata

O primeiro relato sobre a existência de orquídeas na ilha de Santa Catarina, esta descrito no livro Ilha de Santa Catarina – Relato dos Viajantes Estrangeiros nos Séculos XVIII e XIX – compilado por Paulo Berger. Florianópolis. Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina. Assessoria Cultura, 1979. Capitulo XI, CHAMISSO, 1815. (pagina 250).

“Cito as acácias com folhas multipenadas, troncos altos e ramos espairecidos em forma de leque. Abaixo destas, sobre troncos caídos, rastejam capins, samambaias, helicôndas de folhas largas e de altura de uma pessoa; ainda de permeio, palmeiras anãs, troncos de samambaias. Cipós emaranhados erguem-se do chão ao cimo das árvores, de lá pendendo para baixo: os ramos mais altos situam-se alegres jardins de orquídeas e bromeliáceas, etc, com as “Tillandsia usneoides” (“barba-de-velho”) cobrindo velhas árvores com seus cachos prateados.”

“A Ilha de Santa Catarina é verdadeiramente o paraíso das orquídeas, servindo de “habitat” predileto da Laelia purpurata, que nela conta com variedade assombrosa e de difícil catalogação pela diversidade e estonteante extravagância nos seus coloridos e pormenores florais…..” – Lara Ribas ( Orquídeas Catarinenses – 1º Edição, 1945).

A Orquídea Laelia purpurata, já era conhecida, mesmo antes da sua descrição, tanto é verdade que no livro Voyages pittoresques au Brésil de 1835, a mesma aparece em algumas gravuras realizadas pelo pintor e ilustrador botânico Maurice Rugendanz.

Laelia purpurata

Sua descoberta para a ciência aconteceu em 1847 por François Devos no litoral da então Província Imperial de Santa Catarina, ou melhor dizendo, na Ilha de Santa Catarina.

Deste a sua descoberta, grandes foram as quantidades de plantas coletadas na Ilha de Santa Catarina e despachadas para as firmas M. Verschaffelt (1847), em Ghent, na Bélgica, bem como para o Mijnheer Brys (1850), de Bornhem, junto a Antuérpia, e dessas espalhadas por inúmeras coleções de orquídeas existentes na Europa continental e na Inglaterra.

Laelia purpurata floriu pela primeira vez, fora do seu habitat natural em 1852, nas Estufas da firma James Backhouse and Sons em York, na Inglaterra. Naquele mesmo ano, no mês de junho foi exibida à Royal Horticulture Society em Londres, proporcionando desta maneira o seu Estudo, Descrição e Classificação pelo famoso botânico John Lindley. O exemplar observado por ele e que o orientou na classificação e descrição foi uma Laelia purpurata com sépalas e pétalas quase brancas.

A Publicação destes estudos e principalmente a descrição da Laelia purpurata, foi realizada pelo Jardineiro e Arquiteto Joseph Paxon, na obra Paxton´s Flower Garden 3: 111-112, tab. 96, no ano 1852.

Uma outra planta floriu também no ano de 1852 e foi classificada de forma errônea por Ch. Lemaire, como sendo uma Cattleya brysiana. Esta planta era um exemplar de sépalas e pétalas róseas, fato esse que causou inicialmente uma certa confusão. A Planta descrita por Ch. Lemaire, figura hoje como uma variedade da Laelia purpurata.

Em 1859, um outro exemplar foi classificado por H. G. Reichenbach fil., como sendo Laelia casperiana.  Alfred Cogniaux reclassificou-a como sinônimo da Laelia purpurata tipo, hoje esta planta e classificada como sendo um dos híbridos naturais da Laelia purpurata.

Por muitos anos a Laelia wyattiana, classificada em 1883 por H. G. Reichenbach fil., foi considerada como um sinônimo da Laelia purpurata, hoje essa espécie é classificada como híbrido natural da Laelia crispa e da Laelia lobata.

Em relação a história das atividades orquidófilas em Santa Catarina, seu inicio remonta a 1938, quando do surgimento das primeiras sociedades orquidófilas, sendo a de Joinville a mais antiga, seguidas pela de Florianópolis, Blumenau, Itajaí, Brusque, Laguna, Tangará e sombrio. Algumas delas ainda existem e desenvolvem atividades extremamente relevantes no que diz respeito a cultura e a divulgação das orquídeas, mais notadamente o cultivo da Laelia purpurata. Entre elas devemos destacar AJAO – Agremiação Joinvillense de Amadores de Orquídeas e sua  famosa e reconhecida a nível internacional  Festa das Flores, que acontece anualmente no mês de Novembro, tendo como Flor Homenageada a Laelia purpurata, que também é símbolo daquela cidade. A  mais recente é a ASSOC- Associação Orquidófila de Chapecó, fundada em 21 de junho de 2008.

O Município de Florianópolis e de forma particular a Ilha de Santa Catarina, por toda sua condição natural (Vegetação, Geologia, Geomorfologia, Hidrografia e Clima) é um verdadeiro paraíso e jardim para as orquídeas. É o habitat predileto da Laelia purpurata, apesar de estar quase extinta no mesmo.

Independentemente de sua identidade cientifica como Laelia purpurata, a espécie é conhecida por todos como “parasita bainha de faca”, numa alusão a folha e espata floral da planta, que se assemelha a uma capa ou estojo de proteção para facas.

Para os amantes da espécie ela é saudada como “Rainha das Orquídeas do Sul do Brasil”, Rainhas das Laelias”, Rainhas das Florestas Litorâneas”, “Rainha das Selvas do Brasil Meridional” e “Rainha das Orquídeas do Brasil”.

Um fato de sublime exaltação aconteceu em 1942 proporcionado pelo saudoso orquidófilo Campolino José Alves, um dos fundadores da Sociedade de Amadores de Orquídeas de Florianópolis, expondo centenas de flores da Laelia purpurata no andor da Padroeira de nosso Estado – Nossa Senhora de Santa Catarina, reverenciada através de monumental procissão pelas ruas de Florianópolis.

Foco das inúmeras adjetivações e sua fascinante beleza e representatividade no âmbito da rica flora brasileira de orquídeas, a Laelia purpurata vem ao longo do tempo sendo homenageada, dentre elas podemos destacar:

  • Flor emblemática do Herbário Barbosa Rodrigues, em Itajaí, Santa Catarina, a partir de 22 de junho de 1942.
  • Flor Símbolo do Estado de Santa Catarina, através da Lei nº 6.255 de 21 de junho de 1983.
  • Mas para nós Florianopolitanos, a mais nobre distinção outorgada a Laelia purpurata, foi no dia 09 de maio de 2006, através da Lei Municipal nº 7.037, que tornou a mesma a Flor Símbolo do Município de Florianópolis.

Laelia purpurata nos presenteia com suas belas, imensas e perfumadas flores entres os meses de outubro, novembro e dezembro, mas o ápice da sua floração, tanto no seu habitat natural como em orquidários é no mês de novembro e dezembro.